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Mostrando postagens de julho, 2020

Causa mortis

Toda noite, ao colocar o filho na cama, a mãe lhe dizia: — Dorme com Deus. Ontem, porém, ele acordou ao lado do Homem. Rebeldia ou distração?

Cigarro

Estava comprando cigarros quando foi surpreendida: — Á-mi-gá. — Oiê. — E aí, como foi o seu findi? Espremeu os olhos e disse, à meia-voz: — Selvagem. — Ui, conta, conta. — Sexo intenso. — É? — Heavy love. Putaria. — NOS-SA. — Cama rangendo. — U-AU. — Urrando. — (Ai, molhei.) — Taquicardia orgásmica. — MEU DÊ-US. Mas, escuta, e aquela chata da sua vizinha? — Que que tem? — Ué, ela não reclamou de todo esse barulho? — Foi tão bom que até ela acendeu um cigarrinho de depois. — Nossa, e olha que ela nem fuma, né? É.

Palavra da salvação

UTI de um hospital do NHS, em Liverpool. — Lamento dizer, mas o senhor tem apenas mais 3 minutos de vida. O paciente engole seco, sem ânimo para falar. — Qual seu último pedido? — pergunta-lhe o médico. — Quero ouvir "Hey Jude". — Mas essa música tem quase 8 minutos. Então, Deus surge na sala: — Tudo bem, meus filhos. Vale a pena esperar. O médico põe a música. Mas, quando Paul McCartney começa a cantar, o paciente interrompe: — Beatltes? Eu prefiro a versão em português do Kiko Zambianchi. Aquela, que tocou em "Top Model", da Globo. Pode ser? Aos olhos de Deus, essa autopenitência valeu o Céu.

Com moderação

— Curte maconha? — Como se fosse a primeira vez. — Toma um "E"? — De "A" a "Z". — Michael Douglas? — Faz tempo que eu não durmo. — Lexotan? — Viagem de Júpiter, sabor maçã. — AZT? — Molotov. — Analgésicos? — O mundo dói. — Cloroquina? — De canudinho. — Anabolizantes? — Temos que ser fortes. — E cocaína? — Dispenso. — Não gosta? — Só do cheiro. Todo mundo tem um lado careta.

Coreia do Norte e bem-estar mental

1. Diz-se que a Coreia do Norte é um Estado autoritário, ditatorial, repressor — o diabo. E, pelo que consta, pode ser que exista certa verdade nisso tudo. Mas, na contra-mão dos contra-revoluconários, permitam-me dizer o seguinte: a boa República Democrática (assim ela se chama) é, antes de tudo, um Estado de bem-estar mental. Senão, vejamos. 2. Já está comprovado, por A+B, que guardar raiva — remoer, reprimir os instintos, mesmo os mais baixos — faz um mal danado. Quantas vezes, por exemplo, você não pensou ou mesmo disse: “Não dá, vou explodir” — mas, por pura etiqueta social, puro peso prévio de consciência, não explodiu? E tome somatização, descompenso, desacorçoamento e problemas de toda a ordem no seu organismo. Na Coreia do Norte é diferente. Dia desses, com efeito, explodiram, lá na capital Pyongyang, um escritório de relações bilaterais com a coirmã do Sul. (E, segundo testemunhas, ainda gritaram durante o ato algo que, em livre tradução, seria “Enfia esse escritório no Seul”...

Orgulho hétero

Fundo branco. Três homens, vestidos casualmente (camiseta e calça jeans) estão virados de frente. De repente, se viram de costas e nota-se   que há uma mensagem na bunda de cada um deles. Close nas bundas: - Bunda 1:   DIGA NÃO AO MEU CU. - Bunda 2:  PORQUE EU SOU É MUITO MACHO. - Bunda 3: MAS A CARNE É FRACA. Então, abaixam a calça da Bunda 3 e, nas nádegas, aparece a mensagem: E COMO. Packshot: CAMPANHA PELA MANUTENÇÃO  DO ORGULHO HÉTERO Jamais nos comerão. ( A menos que queiram muito.)  

Ramoneando

Era um daqueles raros dias frios e chuvosos que caem sobre o Rio de Janeiro. Num ponto de ônibus lotado, um homem, já cansado de esperar, crispa-se de alegria ao ver sua condução apontando na esquina. Todo satisfeito, ele toma à frente de todos e faz sinal, erguendo o braço esticado. A condução, porém, passa por ele e vai. Incrédulo, o homem, ainda com o braço esticado no alto, só tem tempo de gritar: — HEY... Ô... Instintivamente, todos no ponto de ônibus responderam: — LET'S GO. Naquele mesmo dia, todos os terminais de ônibus foram depredados, num ataque tão organizado que pareceu um Blitzkrieg — e nem o BOPE deu jeito.

Fonte da finitude

Lembram daquele alquimista indiano que criou a fonte da juventude? Pois é: ele acaba de ser condenado em Haia por genocídio. Também, poxa, entre tantos países, ele tinha que instalar essa fonte logo na Índia?  Segundo a ONU, o país concentra 24% das mortes neonatais do mundo. Era um tal de o povo entrar na fonte, voltar a ser bebê e morrer, que não teve jeito. Abrir filiais da fonte no Afeganistão, recordista em mortalidade infantil pela média histórica de 1995 até 2010, e no Paquistão, onde 1 em cada 22 neonatos não vê o amanhã, também não ajudou. E, para piorar, os "neojovens" que não morreram passaram a engrossar as estatísticas mundiais de tráfico, trabalho, abandono e casamento infantil. Mas, segundo observadores internacionais, a gota d'água foi o alquimista ter entrado na corte assoviando "Forever Young". Perdoa-se tudo, menos o deboche.

Aqui mesmo

CENA 1 Avenida central.  Movimento frenético de gente nas primeiras horas da manhã.  Sinal fechado para pedestres.  Uma mulher bonita puxa a fila dos que querem atravessar.  Nosso herói se aproxima.  Ela sorri e lhe dá condição.  Ele chega perto e sussurra: — Sorte sua que eu tô indo pro trabalho, se não era aqui mesmo. CENA 2 Escritório.  Todos cortando um dobrado de trabalhar.  Meio sorrindo, meio mordendo o lábio de baixo, desejosa, a secretária do CEO passa ao lado da mesa do nosso herói, carregando relatórios. Então, ela deixa que tudo caia, só para abaixar e lhe mostrar o desconte enquanto pega tudo. Ele também se abaixa, agarra-a pelo braço, olha em seus olhos e sussurra: — Sorte sua que eu só venho a trabalho, se não era aqui mesmo. CENA 3 Boteco. Sambão comendo solto.  Uma mulata escultural varre do salão dançando de lá para cá, com rebolados e sorrisos insinuantes para o nosso herói. Ele percebe, mata sua cervejinha num gole só, che...

Armariologista

Consultório de endocrinologia, final do dia. — É, senhor. — Que que há, doutor? Não me esconda nada. — Mas, nem que eu quisesse. — Como assim? — Como "como assim"? O senhor não tem espelho? — Não me diga que eu sou... — Obeso. — Eu ia dizer "lindo". Mas tarde, numa mesa de bar, confessaram-se: o endócrino sempre tivera uma queda por gordinhos, e o gordinho alimentava(-se — também — de) fetiches médicos.   Entre coxinhas e croquetes, foram feliz para sempre.

Furacão Bomba do PT

Dois cidadãos de bem politizados: — Cê viu o furacão bomba de Santa Catarina? — Pô, deu PT geral no Sul. — Acho que liberaram todo o vento que a Dilma tinha estocado, diz aí? Enquanto um ria de sua piada politicamente engajada, o outro teve um estalo: — Tomara que ela não tenha estocado mandioca. (Texto iniciado — involuntariamente — por Rogério Ota, no Facebook.)

Coreia do Norte e Comunismo: por que funciona?

Encontravam-se sempre na fronteira entre as duas Coreias. — A minha Coreia do Sul é muito melhor do que a sua, do Norte. — Não é. — É. — Não é. — Claro que é. — Ah, é? Diz por quê. E o sujeito desfiou um rosário de garantias individuais, vantagens econômicas, liberalismo político, "Parasita" etc. — Pô, impressionante. — Sua vez. Fala uma, veja bem, uma, só uma vantagem dessa sua Coreiazinha do Norte ditatorial. — Bom, aqui não tem K-Pop. E assim o PTC ganhou mais um membro.