Aqui mesmo

CENA 1

Avenida central. 

Movimento frenético de gente nas primeiras horas da manhã. 

Sinal fechado para pedestres. 

Uma mulher bonita puxa a fila dos que querem atravessar. 

Nosso herói se aproxima. 

Ela sorri e lhe dá condição. 

Ele chega perto e sussurra:

— Sorte sua que eu tô indo pro trabalho, se não era aqui mesmo.


CENA 2

Escritório. 

Todos cortando um dobrado de trabalhar. 

Meio sorrindo, meio mordendo o lábio de baixo, desejosa, a secretária do CEO passa ao lado da mesa do nosso herói, carregando relatórios.

Então, ela deixa que tudo caia, só para abaixar e lhe mostrar o desconte enquanto pega tudo.

Ele também se abaixa, agarra-a pelo braço, olha em seus olhos e sussurra:

— Sorte sua que eu só venho a trabalho, se não era aqui mesmo.


CENA 3

Boteco.

Sambão comendo solto. 

Uma mulata escultural varre do salão dançando de lá para cá, com rebolados e sorrisos insinuantes para o nosso herói.

Ele percebe, mata sua cervejinha num gole só, chega junto e, já com as mãos na cintura dela, sussurra:

— Sorte a sua que eu tô de happy hour, se não era aqui mesmo.


CENA FINAL

Fim de expediente.

Nosso herói, de gravata afrouxada e levando o blazer nas costas, vai chegando ao estacionamento.

Antes de entrar no carro, num relance, olha para a esquina e sussurra para si mesmo.

— "AQUI MESMO". Se eu desse sorte, já tinha conhecido esse motel.

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