A era do consumidor

 — E aí, meu patrão? Vâm’almoçá?

— “Vâmo”, não. Eu vô.

— Tá certo. E vâmo cumê u quê?

— Qui mané “vâmo”. I u quic cê mi recomenda?

— Vai nu du dia: arroiz, fejãozinhu, bifão i batata.

— Pódi sê. Suco acompanha?

— Acompanha, ‘companha. Vâmo bebê u quê?

— Qui “vâmo” u quê? I, sei lá, vê aí um suco di laranja.

— Açúcar i gelo?

— Só gelo.

— I já vâmo trazê na jarrinha, né, patrão?

— Não, pôrra. “Vâmo” trazê nu chão, puxado nu rôdo. ‘taqueopariu.

— É pra já, patrão.

 

Com efeito, cinco minutos depois, vinha o garçom, “rodeando” o suco e as pedrinhas de gelo pelo salão até a mesa do cliente.

 

— Tá nu jeito, meu patrão.

— Quê’isso, pôrra?

— Teu suco, patrão. Puxei desd’a cuzinha, ó. Nu caprichu.

— CACETA, CÊ TRÔXE NU CHÃO.

— Du jeitinhu qui’u patrão pidiu.

— Mas, pôrra...

—Aqui é assim: o cliente vai pidino e nóis vâmo atendeno.

— I SI O CLIENTE AQUI DISSER QUI AGORA NÓIS “VÂMO” INFIÁ ESSE CABO DE RÔDO NU RABO, PORRA? CÊ FAIZU QUÊ?

— Ih, ta fáciu, patrão. É já.

 

E foi assim que o cliente, empalado, deu entrada na UTI.

Comentários

Nadas de Valor

Coreia do Norte e Comunismo: por que funciona?

Armariologista

Fonte da finitude